Mudanças em UTIs neonatais reduzem sepse em prematuros no Brasil
Mudanças em práticas de cuidado em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais reduziram em 18,5% a incidência de sepse tardia — principal causa de morte entre bebês prematuros de muito baixo peso no Brasil. O resultado é fruto de um projeto da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais (RBPN), desenvolvido entre 2021 e 2023 em 12 centros especializados. A iniciativa focou em medidas simples, como diminuir o uso desnecessário de antibióticos e antecipar a alimentação com leite materno nas primeiras horas de vida.
A sepse tardia afeta principalmente recém-nascidos com menos de 1,5 kg e costuma surgir após os primeiros três dias de vida, muitas vezes associada ao ambiente hospitalar. Prematuros possuem sistema imunológico imaturo e frequentemente precisam de dispositivos como ventilação mecânica e cateteres venosos para nutrição e medicação, o que aumenta o risco de infecções. Para enfrentar o problema, pesquisadores utilizaram metodologias de melhoria de qualidade para identificar práticas que favoreciam a ocorrência da doença e propor mudanças nos protocolos de atendimento.
Durante o estudo, que acompanhou 1.993 prematuros internados por mais de 72 horas em UTIs neonatais, foram implementadas metas como suspender antibióticos em até 48 horas quando não havia infecção, estimular a alimentação precoce com leite materno e reduzir complicações associadas a cateteres. As ações foram adaptadas à realidade de cada centro participante e resultaram em redução da sepse em 67% das unidades envolvidas. Diante dos resultados, a RBPN prepara uma nova etapa do projeto em 2026, ampliando a participação das equipes de enfermagem para fortalecer as estratégias de prevenção.
Com informações: Folha de São Paulo





