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Criação de salmão gera alerta ambiental na Terra do Fogo

A decisão de autorizar a criação industrial de salmão na província de Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, tem gerado preocupação entre ambientalistas e especialistas. A medida foi aprovada no final de 2025 por margem apertada no parlamento local, com oito votos favoráveis e sete contrários, e prevê a regulamentação da atividade pelo governo provincial. A região, conhecida mundialmente por seus ecossistemas preservados e apelidada de “Fim do mundo”, abriga rica biodiversidade marinha e é destino turístico importante da América do Sul.

O temor de pesquisadores é que a nova legislação coloque em risco o equilíbrio ambiental da área. As águas da região são utilizadas como rota migratória por baleias-francas-austrais e golfinhos, além de abrigarem espécies como leões-marinhos, albatrozes, pinguins e corvos-marinhos. A criação intensiva de salmão, espécie nativa do hemisfério norte e introduzida em outras regiões do mundo, é apontada como potencial ameaça ao ambiente marinho, especialmente por se tratar de um peixe carnívoro que pode afetar populações de espécies nativas.

Outro ponto que chama atenção é a mudança de posição de autoridades locais. Em 2021, a própria província havia aprovado uma lei que restringia severamente a criação de salmão, permitindo apenas produção em pequena escala, com limite de 50 toneladas anuais por fazenda. A nova legislação elimina esse limite e permite a produção industrial, mantendo restrição apenas no Canal de Beagle. O governo defende que a medida pode impulsionar a economia regional e gerar cerca de quatro mil empregos, mas cientistas alertam para possíveis impactos ambientais, como fuga de peixes exóticos, acúmulo de resíduos na água e uso intensivo de antibióticos.

Com informações: A Tarde

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