Estresse na adolescência pode causar impactos duradouros no cérebro
Situações de estresse vividas durante a adolescência podem provocar alterações mais profundas e duradouras no cérebro do que quando ocorrem na fase adulta. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que investigou os efeitos do estresse em ratos e identificou mecanismos neurológicos que ajudam a explicar a maior vulnerabilidade dos jovens a transtornos psiquiátricos, como depressão e esquizofrenia. Os resultados foram publicados na revista científica Cerebral Cortex.
A pesquisa demonstrou que o estresse nessa fase da vida interfere no equilíbrio entre neurônios excitatórios e inibitórios no córtex pré-frontal, região responsável pelo controle emocional e pelas funções cognitivas. Nos experimentos, ratos adolescentes submetidos a situações de estresse apresentaram aumento persistente da atividade dos neurônios excitatórios e alterações duradouras no funcionamento dos neurônios inibitórios, gerando um desequilíbrio prolongado na comunicação entre células cerebrais.
Já nos animais adultos, os efeitos do estresse foram temporários, com recuperação mais rápida dos circuitos neurais. Segundo os pesquisadores, como o cérebro adolescente ainda está em formação, ele possui menor capacidade de proteção contra impactos emocionais intensos. O estudo reforça a hipótese de que traumas nessa fase da vida podem aumentar o risco de esquizofrenia em indivíduos geneticamente vulneráveis, enquanto situações semelhantes na vida adulta tendem a estar mais associadas ao desenvolvimento de depressão.
Com informações: Folha de São Paulo





