Sorgo avança e pode ganhar espaço na alimentação humana
O cultivo de sorgo vem crescendo de forma acelerada no Brasil e deve atingir 6,7 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume 219% superior ao registrado há cinco anos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Mais resistente à seca e adaptado às incertezas climáticas, o cereal ganhou espaço diante de novas pragas no milho e da ampliação da demanda por ração animal, confinamentos bovinos e produção de etanol. De acordo com pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, o cenário se inverteu: se antes o produtor precisava buscar compradores, hoje são as empresas que disputam a produção.
Tradicionalmente destinado à alimentação de suínos e aves, o sorgo pode ampliar seu uso para consumo humano e no mercado pet. Para isso, pesquisadores defendem o cultivo de variedades com tanino, diferente do sorgo sem tanino predominante no Brasil. O composto reduz a digestibilidade para aves, mas apresenta características funcionais importantes para humanos e animais de estimação, como maior teor de amido resistente e antioxidantes. A pesquisadora Valéria Aparecida Vieira Queiroz lançará um livro com 50 receitas à base do cereal, incluindo pães, massas, bolos e bebidas, reforçando o potencial do produto como alternativa sem glúten e com propriedades nutricionais relevantes.
Após oscilações na última década, o sorgo consolida-se como cultura planejada, com investimentos em melhoramento genético, adubação e novas sementes, elevando a produtividade para cerca de 3.600 kg por hectare. Além do mercado interno aquecido, a demanda externa também cresce. A produção mundial gira em torno de 63 milhões de toneladas, e a China busca 7,6 milhões de toneladas anuais no mercado internacional, abrindo novas oportunidades para o Brasil expandir sua participação global.
Com informações: Folha de São Paulo





