Chocolate sobe 24,77% e pressiona consumo antes da Páscoa
Os preços do chocolate em barra e do bombom acumulam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro, segundo dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No mesmo período, a inflação geral foi de 4,44%, o que evidencia o peso expressivo do produto no bolso do consumidor. A elevação ocorre às vésperas da Páscoa de 2026, celebrada em 5 de abril, e reflete principalmente o impacto das cotações internacionais do cacau, que dispararam após quebra de safra nos principais países produtores.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas, o preço da tonelada do cacau saltou de cerca de US$ 2.500 em 2022 para US$ 12 mil no auge da crise, recuando posteriormente para a faixa entre US$ 5 mil e US$ 5,5 mil — patamar ainda considerado elevado. Analistas apontam que, além da pressão da matéria-prima, o cenário de baixo desemprego e renda em crescimento sustenta a demanda, permitindo que parte dos custos seja repassada ao consumidor. No ranking dos 377 subitens do IPCA, apenas cinco tiveram alta superior à do chocolate no acumulado de 12 meses.
Embora as cotações do cacau tenham moderado no segundo semestre de 2025, especialistas avaliam que a cadeia globalizada do produto torna o repasse de eventuais quedas mais lento. Enquanto isso, produtos tradicionais da mesa do brasileiro seguem trajetória oposta: feijão-preto e arroz registraram deflação de 28,94% e 27,3%, respectivamente, impulsionados pela ampliação da oferta. O contraste evidencia um cenário de inflação desigual dentro do próprio setor de alimentos.
Com informações: Folha de São Paulo





