O mistério da curva no curling intriga cientistas
Praticado desde o século 16 na Escócia, o Curling ainda desafia a ciência. No esporte olímpico de inverno, atletas lançam pedras de granito sobre o gelo em direção a um alvo chamado “casa”, enquanto companheiros varrem a superfície para controlar a trajetória. Apesar da aparente simplicidade, físicos e treinadores admitem que não há consenso sobre a principal questão: por que a pedra faz a curva característica — o “curl” — no mesmo sentido da rotação aplicada no lançamento?
A mecânica do curling é mais complexa do que parece. As pedras, extraídas de regiões específicas da Escócia e do País de Gales, possuem base côncava e tocam o gelo apenas pela “faixa de rolamento”. Já o gelo é granulado com pequenas gotas d’água, reduzindo a área de contato e o atrito. Durante o deslizamento, o calor gerado derrete uma camada microscópica de gelo, criando lubrificação. À medida que a pedra perde velocidade, a quantidade de água diminui e o atrito seco passa a predominar — momento em que a curva se acentua.
Diversas teorias tentam explicar o fenômeno, desde a “assimetria esquerda-direita”, proposta em 1924 pelo cientista E. L. Harrington, até modelos mais recentes, como o do físico japonês Jiro Murata, da Universidade Rikkyo. Em 2022, Murata sugeriu que a rotação não empurra a pedra lateralmente, mas cria diferenças de atrito que funcionam como ponto de pivô, semelhante a girar em torno de um poste enquanto se corre. Experimentos também indicaram que varrer a parte externa da curva pode aumentar o ângulo do desvio, ao reduzir o atrito naquele lado. Mesmo assim, fatores como temperatura, composição do gelo e microfraturas mantêm o fenômeno envolto em incertezas — mostrando que, mesmo após séculos, o curling continua sendo um jogo de estratégia e também de mistério científico.
Com informações: BBC News Brasil





