Estudo identifica origem rara de coágulos após vacina contra Covid
Pesquisadores identificaram o possível gatilho molecular por trás da trombocitopenia e trombose imune induzidas por vacina (VITT), um distúrbio raro de coagulação associado a vacinas contra a Covid-19 baseadas em adenovírus. O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine e analisou casos registrados após a aplicação dos imunizantes da Johnson & Johnson e da AstraZeneca. Embora a condição tenha atingido uma parcela extremamente pequena da população — cerca de 1 em 200 mil nos EUA e 3 em 100 mil no Reino Unido — o quadro pode ser grave e levou governos a revisarem recomendações de uso em determinados grupos.
A pesquisa aponta que, em pessoas com uma variante genética específica, o sistema imunológico pode produzir anticorpos que, em vez de reagirem a uma proteína do adenovírus (pVII), passam a atacar o fator plaquetário 4 (PF4), proteína ligada à coagulação sanguínea. Essa alteração ocorre devido à substituição de um aminoácido na estrutura do anticorpo, o que modifica sua ligação e pode desencadear formação intensa de coágulos e queda nas plaquetas. O estudo analisou amostras de 21 pacientes com VITT e identificou a mutação em todos os casos. Segundo os autores, trata-se da primeira vez que uma doença autoimune é rastreada até o evento desencadeador original.
Especialistas destacam que as vacinas foram amplamente seguras e salvaram milhões de vidas durante a pandemia. As descobertas podem contribuir para o aprimoramento de futuras vacinas que utilizam vetores adenovirais, permitindo ajustes na proteína envolvida para reduzir riscos. Pesquisadores reforçam que o evento adverso é extremamente raro e que o caso evidencia a importância da vigilância pós-vacinação e da comunicação científica transparente.
Com informações: Nature





