Açúcar atinge menor preço em cinco anos com avanço dos remédios GLP-1
Os preços do açúcar recuaram ao menor patamar em mais de cinco anos, pressionados por uma desaceleração no consumo associada ao avanço dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1. Os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York caíram para menos de 14 centavos de dólar por libra, nível não visto desde outubro de 2020 e inferior à metade do valor registrado no fim de 2023. Segundo analistas, a queda reflete um consumo mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas, enquanto países emergentes também apresentam ritmo de crescimento abaixo das projeções.
Os medicamentos que utilizam o hormônio GLP-1, como Wegovy e Ozempic, da Novo Nordisk, além de Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, têm reduzido o apetite e a busca por alimentos doces. Especialistas apontam que a mudança no comportamento dos chamados “superconsumidores” — responsáveis por grande parte das vendas de produtos açucarados — gera impacto desproporcional no mercado. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos já indicam revisão para baixo no uso de açúcar até 2026, sinalizando tendência estrutural e não apenas conjuntural.
Mesmo com a produção global estável, em torno de 180 milhões de toneladas por ano, e manutenção de níveis elevados no Brasil e na Índia, os preços seguem pressionados, com aumento expressivo de posições vendidas no mercado futuro. Em contrapartida, o setor de laticínios vive movimento oposto: a demanda por proteínas disparou, impulsionando os preços do soro de leite e de produtos como barras e suplementos proteicos. A indústria alimentícia já começa a reformular portfólios, priorizando densidade nutricional e maior teor de proteína, em um cenário que analistas avaliam não ser passageiro, mas uma transformação duradoura nos padrões de consumo.
Com informações: Folha de São Paulo





