Estudo liga menopausa a alterações cerebrais e reacende debate sobre TRH
A menopausa pode estar associada à redução da massa cinzenta do cérebro, além do agravamento de sintomas ligados à saúde mental, distúrbios do sono e lentidão no tempo de reação. É o que aponta um estudo observacional com cerca de 125 mil mulheres do Reino Unido, conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge e publicado na revista científica Psychological Medicine. A pesquisa analisou dados cognitivos, questionários de saúde e exames de imagem, indicando maior impacto em mulheres na pós-menopausa.
Segundo os autores, as regiões cerebrais mais afetadas foram o lobo temporal medial, relacionado à memória, e o córtex cingulado anterior, ligado ao processamento emocional e à tomada de decisões. Os menores volumes de massa cinzenta foram observados em mulheres na pós-menopausa, especialmente entre aquelas que faziam uso de Terapia de Reposição Hormonal (TRH). Apesar disso, o estudo sugere que a TRH não foi capaz de mitigar os efeitos sobre a saúde mental, embora possa ter retardado a lentidão na resposta cognitiva.
Especialistas brasileiros ouvidos pela imprensa, no entanto, pedem cautela na interpretação dos dados. Médicos ligados à Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e à Universidade de São Paulo destacam limitações metodológicas do estudo, como a falta de padronização dos grupos, ausência de detalhes sobre o tipo e o tempo de uso da TRH e a utilização de questionários autoaplicáveis. Para os especialistas, a menopausa exige avaliação individualizada e acompanhamento médico, evitando conclusões alarmistas ou generalizações simplistas.
Com informações: Folha de São Paulo





