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Estudo aponta elo molecular entre câncer e Alzheimer

Pesquisadores avançaram na compreensão de um antigo enigma médico ao identificar um possível mecanismo biológico que ajuda a explicar por que o câncer e a doença de Alzheimer raramente se manifestam na mesma pessoa. Um estudo experimental com ratos, publicado na revista Cell, indica que uma proteína produzida por células cancerígenas pode alcançar o cérebro e contribuir para a redução de aglomerados proteicos associados ao Alzheimer, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento de terapias.

A pesquisa sugere que a proteína cistatina C, liberada por tumores, consegue atravessar a barreira hematoencefálica e interagir com placas cerebrais típicas da doença de Alzheimer. Essa interação ativa a proteína TREM2, ligada às células imunológicas do cérebro, que passam a degradar essas placas. Nos testes com animais, a redução das placas esteve associada a melhora no desempenho cognitivo, reforçando o potencial terapêutico do achado.

Especialistas destacam que os resultados ajudam a conectar evidências epidemiológicas já observadas. Segundo o neurologista Donald Weaver, do Instituto de Pesquisa Krembil da Universidade de Toronto, estudos anteriores já indicavam menor incidência de Alzheimer em pessoas com histórico de câncer, embora a relação seja complexa. Caso as descobertas sejam confirmadas em humanos, elas podem orientar novas estratégias de tratamento, ainda que os pesquisadores alertem que o combate ao Alzheimer provavelmente exigirá uma combinação de medicamentos, e não uma solução única.

Com informações: Nature

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