Gordura abdominal pesa mais que a balança no risco ao coração
A distribuição da gordura corporal, especialmente na região abdominal, pode ser mais decisiva para a saúde do coração do que o peso total indicado pela balança — sobretudo entre os homens. Essa é a principal conclusão de um estudo apresentado no fim de 2025 durante o congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), nos Estados Unidos. A pesquisa avaliou adultos sem diagnóstico prévio de doença cardiovascular e mostrou que a chamada “barriga de chope” está associada a alterações cardíacas mais preocupantes do que aquelas ligadas apenas ao excesso de peso global.
O trabalho analisou mais de 2.200 pessoas, entre 46 e 78 anos, submetidas a exames de ressonância magnética do coração. Ao comparar o índice de massa corporal (IMC) com a relação cintura-quadril, os pesquisadores observaram que o acúmulo de gordura abdominal — ligado à gordura visceral — provoca um remodelamento do músculo cardíaco, com espessamento das paredes, especialmente do ventrículo esquerdo, e redução do espaço interno das cavidades. Segundo a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, esse processo está associado a inflamação crônica, resistência à insulina, alterações no colesterol e aumento da pressão arterial, fatores que sobrecarregam o coração ao longo do tempo.
Outro achado relevante foi a diferença entre homens e mulheres: embora ambos apresentem alterações associadas à obesidade abdominal, os efeitos foram mais intensos no sexo masculino, devido ao padrão de acúmulo de gordura no abdômen e à maior inflamação sistêmica. Na prática, os resultados reforçam a importância de ir além do IMC na avaliação do risco cardiovascular. Medidas simples, como a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril, ajudam a identificar riscos precocemente — a Organização Mundial da Saúde (OMS) indica maior risco acima de 90 cm para homens e 85 cm para mulheres. Mudanças sustentáveis no estilo de vida, com atividade física regular e alimentação equilibrada, seguem sendo fundamentais para reduzir a gordura visceral e proteger o coração.
Com informações: Folha de São Paulo





