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Escassez de mão de obra desafia empresas mesmo com desemprego em queda

Em 2025, o Brasil registrou desemprego em baixa, informalidade desacelerando e taxa de ocupação próxima de recordes, além de um crescimento do PIB acima do previsto. Ainda assim, empresas — especialmente do comércio, da construção e da indústria — relatam dificuldades para contratar trabalhadores. Esse aparente paradoxo foi analisado em um estudo do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV IBRE, que identificou um conjunto de fatores estruturais por trás da escassez de mão de obra.

Segundo o levantamento, a falta de trabalhadores não tem uma causa única, mas resulta da combinação de transição demográfica, alta rotatividade no mercado de trabalho e mudanças nos vínculos ocupacionais, impulsionadas pela tecnologia. O estudo mostra que o Brasil está encolhendo justamente na base jovem da força de trabalho, o que afeta diretamente setores que tradicionalmente absorvem jovens, como comércio e indústria. Apenas a mudança etária explica quedas relevantes na oferta de mão de obra entre 2012 e 2025, enquanto a rotatividade elevada encarece contratações e dificulta o preenchimento de vagas, inclusive em funções mais técnicas.

O trabalho também analisou temas frequentemente debatidos, como o impacto do Bolsa Família e do trabalho por aplicativos. Os resultados indicam que os programas sociais não explicam sozinhos a escassez e podem gerar efeitos positivos, como aumento da escolarização. Já os aplicativos funcionam mais como amortecedores do mercado de trabalho, mantendo renda e ocupação. Para Duque, o cenário revela uma escassez estrutural, que exige reformas de longo prazo, incluindo políticas pró-natalidade, maior eficiência institucional e debate sobre produtividade e horas trabalhadas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam o alerta: em 2024, o número de nascimentos caiu 5,8%, aprofundando o desafio futuro do mercado de trabalho.

Com informações: Exame

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