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Genética ajuda a explicar por que infecções afetam pessoas de forma diferente

No início da década de 1980, o pediatra infectologista Michael Levin, então em início de carreira em Londres, foi confrontado com um caso que mudaria a compreensão médica sobre infecções graves. Um menino levado de Malta apresentava uma inflamação generalizada severa, com falência de múltiplos órgãos, apesar de os médicos não encontrarem inicialmente nenhum patógeno. Exames mais detalhados revelaram que o agente causador era a Mycobacterium fortuitum, uma bactéria comum e geralmente inofensiva, o que levantou um questionamento central: por que algumas pessoas adoecem gravemente enquanto outras permanecem ilesas?

Após anos de investigação, Levin — hoje pesquisador do Imperial College London — e outros cientistas descobriram que o menino e familiares tinham uma mutação genética que comprometia o receptor de interferon-gama, molécula essencial para a resposta imunológica. Essa constatação abriu caminho para a identificação dos chamados “erros inatos da imunidade”, mutações genéticas que tornam milhões de pessoas mais suscetíveis a infecções, doenças autoimunes e reações inflamatórias graves. Desde então, mais de 500 genes já foram associados a essas falhas do sistema imunológico.

As descobertas vêm transformando a prática médica, com o uso crescente de testes genéticos para orientar diagnósticos, tratamentos personalizados e até estratégias de prevenção. Especialistas destacam que compreender o papel da genética permite antecipar riscos, ajustar terapias e salvar vidas, embora fatores ambientais e características dos próprios microrganismos também influenciem o desfecho das infecções. Para a ciência, o foco deixou de ser apenas o germe e passou a incluir, cada vez mais, o hospedeiro.

Com informações: Nature

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