Canetas emagrecedoras podem atrasar efeito de remédios orais
O uso de medicamentos agonistas do GLP-1, indicados para diabetes e obesidade, pode atrasar o início da ação de remédios tomados por via oral, como anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. O efeito ocorre porque essas substâncias reduzem a velocidade de esvaziamento do estômago, mantendo os comprimidos por mais tempo no trato gastrointestinal. Especialistas ressaltam que não há perda da eficácia total, mas sim um retardo na absorção inicial — o que pode ser relevante para fármacos que exigem efeito rápido.
O tema ganhou repercussão após a ex-BBB Laís Caldas relatar gravidez durante o uso de tirzepatida associada a anticoncepcional oral. Segundo o cardiologista Eduardo Lima, professor colaborador da Universidade de São Paulo e médico do Hospital Nove de Julho, a mudança está na velocidade com que o remédio começa a agir, não na dose absorvida ao longo do dia. Estudos com tirzepatida mostram redução do pico e atraso de cerca de uma hora no início do efeito de medicamentos-modelo; já para a semaglutida, não há evidências clínicas robustas de impacto relevante.
No caso dos anticoncepcionais, esse atraso inicial pode reduzir a segurança do método em situações específicas, especialmente nas primeiras semanas de uso da tirzepatida ou durante ajustes de dose. Por isso, a Febrasgo recomenda priorizar métodos que não dependam da absorção intestinal (DIU, transdérmicos, subcutâneos ou barreira) para usuárias de tirzepatida. A federação também alerta para efeitos gastrointestinais (vômitos e diarreia), que podem comprometer pílulas orais, e orienta suspender o GLP-1 em caso de gravidez ou antes de uma gestação planejada, sempre com acompanhamento médico.
Com informações: Folha de São Paulo





