OMS alerta: impostos baixos tornam álcool e bebidas açucaradas mais acessíveis
Relatórios globais divulgados pela Organização Mundial da Saúde apontam que bebidas alcoólicas e açucaradas continuam mais acessíveis em grande parte do mundo devido a impostos baixos, mal estruturados e raramente corrigidos pela inflação. Segundo a agência, esse cenário estimula o consumo de produtos associados à obesidade, diabetes, câncer, doenças cardiovasculares, violências e acidentes, enquanto os sistemas de saúde arcam com custos crescentes de doenças evitáveis.
De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os impostos de saúde estão entre as ferramentas mais eficazes para prevenir doenças e financiar serviços essenciais. Apesar das evidências, os relatórios indicam poucos avanços desde 2022. No caso do álcool, embora 167 países cobrem tributos, a carga média representa apenas 14% do preço da cerveja e 22,5% dos destilados, com poucos países ajustando as alíquotas pela inflação, o que torna o produto relativamente mais barato ao longo do tempo.
O levantamento também destaca falhas na tributação de bebidas açucaradas, muitas vezes restrita a refrigerantes, enquanto outros produtos com alto teor de açúcar ficam fora da cobrança. A OMS lançou a iniciativa “3 por 35”, que propõe elevar os preços reais de álcool, tabaco e bebidas açucaradas até 2035 por meio de impostos mais robustos. A estratégia busca reduzir o consumo nocivo, evitar milhões de mortes e criar uma fonte estável de financiamento para a saúde pública, com respaldo social já identificado em pesquisas como a da Gallup.
Com informações: Folha de São Paulo





