Ultraprocessados aumentam consumo calórico entre jovens
Uma pesquisa publicada na revista científica Obesity revelou que dietas ricas em alimentos ultraprocessados podem levar jovens adultos a ingerirem mais calorias do que o necessário, inclusive na ausência de fome. O estudo acompanhou 27 participantes, entre 18 e 25 anos, divididos por duas semanas em dois grupos: um com 81% das calorias provenientes de ultraprocessados e outro com alimentação livre desses produtos. Embora ambas as dietas fossem planejadas para manter o peso e equilibradas em 22 critérios nutricionais, os resultados mostraram diferenças importantes no comportamento alimentar.
Para classificar os alimentos, os pesquisadores utilizaram o sistema NOVA, desenvolvido por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), que organiza os itens conforme o grau de processamento. Mesmo com controle rigoroso da composição nutricional, os voluntários que consumiram maior quantidade de ultraprocessados apresentaram maior ingestão calórica e tendência a comer mesmo sem fome. Em testes realizados em buffet, os participantes consumiram mais alimentos após o período com dieta rica nesses produtos, sugerindo que o nível de processamento influencia diretamente os mecanismos de fome e saciedade.
Especialistas alertam que a adolescência e o início da vida adulta são fases críticas para a consolidação de hábitos alimentares e para o amadurecimento cerebral. Segundo a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, o risco de obesidade nessa faixa etária está ligado não apenas à quantidade de calorias, mas também à qualidade dos alimentos consumidos. O estudo reforça a importância de priorizar alimentos in natura, planejar refeições e desenvolver educação nutricional precoce como estratégia de promoção da saúde a longo prazo.
Com informações: Folha de São Paulo





