Diagnóstico tardio de TDAH cresce entre adultos e muda vidas
Durante a infância e a adolescência, Mara (nome fictício) não apresentava grandes dificuldades escolares, mas os desafios surgiram com mais intensidade na vida universitária, quando a falta de foco e organização começou a impactar seu desempenho. Após enfrentar um episódio depressivo e passar por diferentes tratamentos, ela recebeu o diagnóstico de TDAH já na fase adulta — uma descoberta que trouxe alívio e compreensão sobre dificuldades antes vistas como falhas pessoais.
Casos como o de Mara se tornaram cada vez mais comuns. Estudos indicam que entre 2% e 3% dos adultos convivem com o transtorno, mas novos dados mostram um crescimento expressivo nos diagnósticos tardios, especialmente nos últimos dez anos. Na Alemanha, por exemplo, a taxa de novos diagnósticos quase triplicou entre 2015 e 2024, tendência que também se repete em países como os Estados Unidos. Especialistas apontam que esse aumento está ligado, principalmente, a uma maior conscientização, avanços nos critérios médicos e ao impacto da pandemia na saúde mental.
Embora o TDAH ainda seja frequentemente associado à infância, hoje se sabe que o transtorno tem forte origem genética e acompanha o indivíduo desde o nascimento. Em adultos, os sintomas podem se manifestar de forma diferente, como inquietação interna e dificuldades persistentes de atenção, especialmente em mulheres, que costumam receber o diagnóstico mais tarde. Para especialistas, o diagnóstico correto pode representar uma virada de chave, permitindo acesso a tratamentos adequados, valorização de habilidades e a construção de uma sociedade mais inclusiva para quem vive com o transtorno.
Com informações: Folha de São Paulo





