Empresas de grãos avaliam sair da Moratória da Soja para manter incentivos fiscais
Grandes empresas globais do comércio de soja estudam romper com a Moratória da Soja para preservar incentivos fiscais no estado de Mato Grosso, principal polo agrícola do Brasil. A movimentação ocorre após a aprovação de uma lei estadual que retira benefícios fiscais de companhias signatárias do pacto ambiental, medida que passa a valer a partir de janeiro. O acordo, criado em 2006, é considerado um dos principais instrumentos de combate ao desmatamento na Amazônia.
Relatório preliminar de auditores estaduais aponta que comerciantes de grãos receberam cerca de R$ 4,7 bilhões em incentivos fiscais entre 2019 e 2024, com destaque para as multinacionais ADM e Bunge, que teriam sido as maiores beneficiadas. Empresas como Cargill, Cofco e Amaggi também são signatárias da moratória e possuem operações no estado. Fontes ouvidas pela Reuters indicam que a maioria deve optar por manter os incentivos fiscais, o que, na prática, pode esvaziar o pacto ambiental.
Ambientalistas alertam para os riscos da decisão. Para organizações como o Greenpeace, o enfraquecimento da moratória pode abrir caminho para o avanço do desmatamento e para a revisão de outras políticas ambientais no país. O governo federal contesta a lei no Judiciário, enquanto a questão também é analisada pelo Supremo Tribunal Federal. Especialistas avaliam que o desmonte do acordo pode ter impactos duradouros sobre a proteção da Amazônia e a imagem ambiental do agronegócio brasileiro no cenário internacional.
Com informações: Folha de São Paulo





