Como o Réveillon virou a grande festa popular do Brasil
A forma como o Brasil celebra hoje a virada do ano é mais recente do que muitos imaginam. Até o fim dos anos 1970, o Réveillon era majoritariamente uma celebração privada, vivida dentro das casas ou em clubes e hotéis frequentados pela elite, como o tradicional baile do Copacabana Palace. Vestir branco, ir à praia e esperar a meia-noite diante de fogos de artifício não fazia parte do costume popular. Nas décadas anteriores, o máximo de festa pública acontecia no meio do dia 31, com chuva de papel picado nos centros das cidades e despedida antecipada do expediente.
A transformação começou quando práticas das religiões de matriz africana passaram a ocupar o espaço público. Ir à praia após a meia-noite, pular ondas e fazer oferendas a Iemanjá eram rituais restritos a grupos ligados à umbanda e ao candomblé, mas que acabaram incorporados ao imaginário coletivo. A partir dos anos 1980, o espetáculo ganhou força com a famosa “cachoeira de fogos” de hotéis à beira-mar e, logo depois, com a entrada decisiva do poder público na organização da festa.
O marco definitivo veio nos anos 1990, quando a prefeitura do Rio passou a promover grandes shows nas areias de Copacabana. A partir do show de Jorge Ben, em 1993, o Réveillon se consolidou como evento de massa, culminando em apresentações históricas, como a de Rod Stewart, que entrou para o Guinness World Records. Em poucas décadas, a festa privada virou símbolo nacional, reunindo tradições religiosas, música popular, fogos e milhões de pessoas em um mesmo espaço, transformando o Réveillon brasileiro em um espetáculo conhecido mundialmente.
Com informações: Folha de São Paulo





