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Brasileiro é destaque mundial por inovação no combate à dengue

O pesquisador brasileiro Luciano Moreira, 58, foi eleito pela revista Nature como uma das dez personalidades que marcaram a ciência em 2025, graças ao trabalho pioneiro no uso da bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A trajetória de Moreira, que começou com a curiosidade por insetos ainda na infância, evoluiu para uma carreira dedicada ao estudo do controle biológico. Após passagens por centros de pesquisa no Brasil, Holanda, Estados Unidos e Austrália, o cientista retornou ao país e aprofundou as investigações sobre o Aedes aegypti e a Wolbachia, desenvolvendo um método que já apresenta resultados expressivos no mundo real.

A Wolbachia, bactéria naturalmente presente em diversas espécies, impede que o Aedes aegypti transmita vírus ao competir internamente com eles, reduzindo a replicação viral. Mosquitos com a bactéria, ao se reproduzirem, geram novas gerações igualmente protegidas, estabelecendo populações locais menos capazes de transmitir doenças. O método, inicialmente testado em pequenas áreas do Rio de Janeiro e de Niterói, ganhou reconhecimento internacional e vem sendo adotado por diferentes países. No Brasil, seu avanço contou com articulação científica e política, especialmente diante da resistência crescente do mosquito a inseticidas tradicionais.

Em 2025, o trabalho de Moreira alcançou um novo patamar com a inauguração da maior biofábrica do mundo de Aedes aegypti com Wolbachia, em Curitiba. A Wolbito do Brasil, iniciativa sem fins lucrativos ligada à Fiocruz e ao World Mosquito Program, produz mais de 100 milhões de ovos por semana para distribuição em dezenas de cidades. O objetivo é ampliar o alcance da estratégia e integrar o método a outras ações de saúde pública, reforçando o compromisso do pesquisador de reduzir o impacto das arboviroses no país. Para Moreira, o reconhecimento internacional apenas reforça a missão central de seu trabalho: salvar vidas e aliviar o sofrimento causado pelo mosquito.

Com informações: Folha de São Paulo

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