Uniões consensuais superam casamentos formais no Brasil, revela IBGE
Pela primeira vez, o número de brasileiros que vivem em união consensual — sem casamento civil ou religioso — ultrapassou o de casamentos formais. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 38,9% das uniões no país são desse tipo, somando 35,1 milhões de pessoas. Em 2000, o percentual era de 28,6%, o que revela uma mudança significativa nos padrões familiares e nas formas de convivência afetiva ao longo das últimas décadas.
A pesquisa mostra que as uniões consensuais predominam entre os mais jovens e as pessoas de menor renda. Entre brasileiros de 20 a 39 anos, essa modalidade já supera os casamentos civis e religiosos. Entre quem ganha até um salário mínimo, ela também é maioria. A tendência é mais acentuada entre pessoas sem religião (62,5%), mas também tem expressiva presença entre católicos (40,9%) e evangélicos (28,7%). Para a pesquisadora do IBGE Luciane Barros Longo, o avanço das uniões estáveis reflete mudanças sociais e econômicas, bem como maior aceitação de modelos familiares diversos.
O levantamento aponta ainda que 51,3% da população com 10 anos ou mais vivia em alguma relação conjugal em 2022, enquanto 30,1% nunca tiveram união. A idade média da primeira união é de 25 anos, sendo 23,6 para mulheres e 26,3 para homens. O estudo destaca também a seletividade marital — tendência de casais a se formarem entre pessoas de mesma cor ou raça — e identificou 34 mil adolescentes de 10 a 14 anos vivendo em união, um dado que o IBGE alerta exigir atenção e estudos mais aprofundados.
Com informações: Agência Brasil





