Consumo global de cocaína atinge recorde e fortalece facções criminosas
O consumo de cocaína nunca foi tão alto no mundo, e esse aumento está impulsionando a atuação e o poder de facções criminosas, segundo relatórios da ONU e análises da BBC News Brasil. No Brasil, o tráfico da droga segue como uma das principais fontes de renda de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que têm ampliado sua presença dentro e fora do país. A ONU alerta que o tráfico continua alimentando o crime organizado e a violência em regiões produtoras, de trânsito e de consumo, em especial na América Latina.
De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2025, produzido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o número de usuários de cocaína aumentou 47% na última década, passando de 17 milhões em 2013 para 25 milhões em 2023. A Europa e a América do Norte concentram os maiores mercados consumidores, mas o Brasil ganhou importância estratégica como rota de exportação, ligando os países andinos — Colômbia, Peru e Bolívia — aos portos europeus. Estudo da Global Initiative Against Transnational Organized Crime aponta o Porto de Santos como um dos principais pontos de saída da droga rumo à Europa.
O fortalecimento das facções brasileiras também reflete a globalização do tráfico. O PCC, por exemplo, expandiu sua influência para Bolívia e Paraguai, operando como um ator transnacional. Já o CV mantém forte presença no Rio de Janeiro e conexões com organizações da África e da Europa. Especialistas afirmam que, além da cocaína, esses grupos diversificaram suas fontes de renda com atividades como comércio clandestino e controle territorial. Pesquisadores defendem que o combate ao tráfico deve incluir políticas de redução da demanda e foco em saúde pública, e não apenas em repressão policial.
Com informações: BBC News Brasil





