Lucros do tabaco disparam mesmo com queda no número de fumantes
Mesmo em um cenário de queda no consumo, as ações das grandes fabricantes de cigarros seguem em alta. Um investimento de US$ 100 feito no índice Nasdaq no início de 2024 hoje renderia US$ 154, mas quem apostou em empresas de tabaco teria um retorno ainda maior — cerca de US$ 165. O resultado é impulsionado pela alta margem de lucro do setor, que passou de 50% para 60% por cigarro vendido nos Estados Unidos. Neste ano, a indústria deve registrar cerca de US$ 22 bilhões (R$ 118,2 bilhões) em lucros operacionais.
O paradoxo é evidente: o número de fumantes adultos caiu em mais de 20 milhões na última década, e o volume de cigarros vendidos despencou um terço. Ainda assim, as empresas continuam prosperando. A explicação está na chamada elasticidade de preço — com menos consumidores, as fabricantes concentram-se em um público mais fiel e menos sensível a aumentos, o que permitiu reajustes constantes. Entre 2017 e 2023, o preço dos cigarros cresceu em ritmo superior à inflação geral dos EUA.
Companhias como Philip Morris, British American Tobacco e Imperial Brands afirmam que os aumentos de preço compensam a redução nas vendas e sustentam os lucros. Embora especialistas alertem que essa estratégia tem prazo limitado, o setor do tabaco segue firme — lucrando mais do que nunca, mesmo enquanto seu público diminui.
Com informações: Folha de São Paulo





