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Tarifa dos EUA ameaça liderança do café brasileiro no mercado global

O recente aumento de 50% nas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao café brasileiro acende um alerta para o setor exportador e pode custar ao país sua posição de destaque no maior mercado consumidor do mundo. O diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, destacou que o impacto da sobretaxa já se reflete nas exportações, com queda expressiva nos embarques e redirecionamento de parte da produção para Europa, Ásia e países árabes. Apenas entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 29,1 milhões de sacas, um recuo de 20,5% em volume, embora a receita tenha crescido 30%, chegando a US$ 11 bilhões.

Com a nova tarifa, os Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro, caindo para o terceiro lugar em setembro e perdendo espaço para a Alemanha. A redução de 52,8% nos embarques no mesmo mês mostra a gravidade da situação. Segundo Matos, o cenário é de prejuízo incalculável, com contratos suspensos e custos elevados. “O aumento no preço internacional somado à tarifa de 50% inviabiliza os embarques”, afirmou. Atualmente, o Brasil responde por 34% do café consumido nos EUA, um mercado que movimenta bilhões de dólares e onde 76% dos americanos consomem café diariamente.

O Cecafé defende que o café brasileiro seja incluído na lista de exceções ao tarifaço, e as negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump já abriram caminho para uma possível revisão das taxas. Paralelamente, o setor busca diversificar mercados e ampliar exportações para China e Austrália, sem perder espaço nos mercados tradicionais. O aumento de preços no varejo americano — a maior alta desde 1997 — e o esgotamento dos estoques locais também pressionam Washington a rever a medida. Enquanto isso, os preços do grão seguem em alta, impulsionados pela incerteza da nova safra e pelos baixos estoques mundiais.

Com informações: Notícias ao minuto

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