Melhor emprego do mundo? Piloto completa 25 anos ao volante dos carrões do Safety Car da F1
Bernd Mayländer assumiu posto em 2000 para garantir a segurança de competidores na elite do automobilismo

Ele dirige carros de luxo pelos circuitos mais famosos do automobilismo, seguido por estrelas da Fórmula 1, sem precisar competir pela pole position. O piloto alemão Bernd Mayländer completou 25 anos na função de condutor oficial do Safety Car, que entra nas pistas para garantir a segurança dos concorrentes em caso de acidentes e chuvas torrenciais durante as provas.
Em postagem no Instagram, a Mercedes celebrou o quarto de século de Mayländer no posto e publicou imagens do piloto no início da carreira e nos dias atuais. A publicação ganhou diversos comentários de fãs do esporte, que parabenizaram o alemão pelo feito — e revelaram até sentir “inveja” dele. “Este é sem dúvida o melhor trabalho do planeta”, resumiu um deles.
O Safety Car — ou carro de segurança — foi introduzido na Fórmula 1 em 1973 e regulamentado em 1992. Bernd Mayländer assumiu o volante pela primeira vez em 1999, no GP de San Marino, e foi empossado oficialmente no cargo pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em 2000. Desde então, ficou à disposição em quase todas as disputas da F1, com seu copiloto, Peter Tibbetts. Apenas em raríssimas ocasiões, quando fraturou o calcanhar e passou por uma cirurgia no pulmão, foi substituído pelo suíço Marcel Fässler.
Mayländer é ex-participante do Alemão de Turismo (DTM). Ao volante do Safety Car, ele já conduziu vários carrões, de um CL55 AMG aos modelos Mercedes AMG GT R e Aston Martin Vantage.
Em entrevista ao blog Voando Baixo, há alguns anos, o alemão confirmou ter “o trabalho dos sonhos” e falou sobre a preparação para as provas.
— É uma pressão diferente. Você não pilota para vencer a corrida. Você está lá para fazer a prova ficar mais segura, tem de pensar em todos os carros. Minha rotina começa na quinta: coloco o macacão e fazemos o primeiro teste no circuito entre 14h e 15h locais. Checamos o sistema de rádio, o GPS, as câmeras da transmissão oficial e também o sistema de cronometragem — detalhou.
O alemão precisa ficar em alerta mesmo nos treinos livres da F1. Pode ser acionado a qualquer momento, em caso de acidente ou fortes chuvas. Ele fica no pit lane, atento a eventuais chamados da direção da competição. No GP da Bélgica de 2021, por exemplo, Mayländer ficou na pista quase a disputa inteira, que terminou com apenas uma volta válida.
— Costumo ver a prova no monitor do carro e também fico de olho nas condições do tempo. Faço duas ou três chamadas para o controle de prova para checar as frequências de rádio e receber atualizações da meteorologia. Quando eles mandam a ordem para entrar na pista, preciso sempre confirmar. É uma relação parecida com um avião e o controle de tráfego aéreo. Se a corrida termina sem que o safety car precise entrar, o que é sempre desejável, dependendo do caso, espero o último carro e entro na pista. Isto serve para avisar aos fiscais que eles podem entrar na pista sem o risco de alguém passar em alta velocidade — explicou ao blog.
Fonte: Revista Exame