Carne atinge recorde mundial e pressiona mercados internacionais
O preço da carne alcançou um recorde histórico em setembro, segundo o Índice de Preços dos Alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). O aumento global, que já soma quase 10% desde janeiro, é resultado da escassez de oferta e da alta demanda internacional. A categoria de carnes — que inclui bovina, suína, de aves e carneiro — registrou sua maior média desde a criação do indicador há 30 anos, com destaque para as elevações nos preços da carne de vaca e carneiro. Segundo a economista da FAO, Monika Tothova, fatores como doenças animais, políticas comerciais incertas e eventos climáticos extremos agravaram o cenário de desequilíbrio no setor.
Entre os principais produtores, Estados Unidos e Brasil enfrentam redução na oferta de gado, o que pressiona ainda mais os preços internacionais. Nos EUA, o rebanho bovino é o menor em sete décadas, e especialistas estimam que a recomposição dos estoques só ocorrerá por volta de 2027. O Brasil, maior exportador mundial, também vive um dilema: o alto valor de mercado incentiva o abate, enquanto há necessidade de retenção do gado para aumentar a produção futura. A alta global foi potencializada pela tarifa de 50% imposta pelos EUA às importações brasileiras, elevando ainda mais os custos. De acordo com o World Beef Report, o preço da carne bovina subiu 54% na União Europeia, 33% nos EUA, 26% no Brasil e 17% no México, comparado ao ano anterior.
Apesar da disparada no valor das carnes, o índice geral da FAO mostrou queda média nos preços dos alimentos em setembro, puxada pela redução nos valores do açúcar e dos laticínios. A produção recorde de açúcar no Brasil e a boa colheita na Índia e na Tailândia ajudaram a reduzir o preço em 21%, atingindo o menor nível desde 2021. Já os laticínios registraram recuo pelo terceiro mês consecutivo, com destaque para manteiga e leite em pó. Mesmo assim, a forte valorização da carne mantém a pressão sobre o custo dos alimentos no mercado internacional, evidenciando os desafios globais de equilíbrio entre oferta, demanda e impacto climático na produção.
Com informações: Folha de São Paulo




