Fim de patente deve baratear remédios para obesidade no Brasil
O mercado brasileiro de medicamentos para emagrecimento deve viver uma nova fase de expansão a partir de março, com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo de remédios como Ozempic e Wegovy. A expectativa é que a entrada de genéricos e similares, com preços até 50% menores, amplie a concorrência e impulsione o faturamento do setor. Segundo relatório da UBS BB Corretora, as chamadas drogas agonistas de GLP-1 podem movimentar R$ 20 bilhões em 2026, quase o dobro do estimado para 2025.
Com a queda da patente, farmacêuticas intensificam a corrida por registros junto à Anvisa. Já existem dezenas de pedidos envolvendo semaglutida e liraglutida, incluindo versões genéricas e biológicas. Empresas como EMS, Eurofarma e Hypera anunciaram investimentos, apostando que a concorrência reduzirá preços e ampliará o acesso. Para Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, esse movimento é natural após o fim da exclusividade e tende a beneficiar o consumidor, embora especialistas alertem que o impacto prático pode ficar restrito às classes de maior renda.
Apesar do avanço, o alto custo ainda limita o acesso, já que os medicamentos não são ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A rejeição da semaglutida pela Conitec, em razão do impacto orçamentário, mantém o tema em debate, agora reacendido pela possível redução de preços. Analistas avaliam que a chegada dos genéricos pode reabrir discussões sobre a incorporação ao SUS, especialmente diante do crescimento da obesidade no país, mas ressaltam que qualquer ampliação exige critérios claros, acompanhamento médico e integração com políticas de promoção de saúde.
Com informações: Folha de São Paulo





