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Manga apodrecerá no pé se tarifa para EUA ficar acima de 15% em agosto, diz setor

A Abrafrutas (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados) saudou a notícia de que o governo Lula tenta convencer o norte-americano Donald Trump a excluir alimentos da lista de produtos brasileiros que ele ameaça sobretaxar em 50% a partir de 1º de agosto.

O presidente da entidade, Guilherme Coelho, defendeu desde o começo da crise que os produtos alimentícios saíssem da lista do tarifaço de Trump. “Meu ‘feeling’ é de que isso vai acontecer”, diz ele.

Coelho argumentava que alimentos são perecíveis, que é pecado deixar comida estragar e que a medida poderia ter impacto na inflação dos próprios EUA.

Caso Trump insista em sobretaxar os produtos alimentícios, no entanto, ele diz que o setor passará a fazer cálculos para saber se vale ou não a pena seguir exportando para os EUA.

O problema mais dramático é o da manga. O dirigente calcula que os produtores poderiam suportar uma sobretaxa de até 15%.

Com ela, a fruta ficará mais cara nos EUA, mas não a ponto de inviabilizar a venda. “Com sobretaxa de 50%, esquece”, diz ele.

O drama é ainda maior pelo fato de a safra de manga Tommy, que é vendida para os norte-americanos, começar em agosto.

Se a indefinição durar até lá, ou se a sobretaxa for mesmo a mais alta, a probabilidade maior, diz ele, é a de que as frutas apodreçam no pé, já que não haverá mercado para elas em outro país —e nem mesmo no Brasil, onde os mercados já estão abastecidos.

O envio das mangas aos EUA é uma operação complexa que requer planejamento e envolve cerca de 20 mil trabalhadores, diz ele.

Anualmente, 12 milhões de caixas, com 4,5 kg cada uma, embarcam nos portos brasileiros rumo à América do Norte.

Depois de colhidas, elas são levadas para os packing houses, locais em que são selecionadas, lavadas, polidas, pesadas e embaladas.

Seguem então para locais em que são refrigeradas a 8ºC para suportar a viagem de quinze dias de navio até os EUA.

No total, são 22 dias entre ela sair do pé e chegar a um mercado norte-americano para ser vendida para aos consumidores.

O risco de o produtor colher antes de saber se vai poder vendê-la, portanto, passa a ser grande, pois os custos da cadeia são altos, segundo ele.

As medidas contra o Brasil foram propostas e estão sendo defendidas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fonte: Folha de São Paulo

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