Consumo de ultraprocessados dispara e preocupa cientistas
O consumo de alimentos ultraprocessados mais que dobrou no Brasil desde os anos 1980, passando de 10% para 23% da dieta nacional, segundo uma série de artigos publicada na revista The Lancet por mais de 40 cientistas liderados pela USP. O levantamento, que analisou dados de 93 países, revela que o aumento é uma tendência global: em nações como Estados Unidos e Reino Unido, esses produtos chegam a representar mais da metade da alimentação diária.
Os pesquisadores destacam que o avanço dos ultraprocessados não é resultado apenas de escolhas individuais, mas de estratégias de grandes corporações que promovem produtos baratos, duráveis e altamente palatáveis, sustentados por fortes campanhas de marketing e lobby político. A expansão coincide com o aumento mundial de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer. Entre os 104 estudos analisados, 92 apontam risco elevado de doenças crônicas associado ao consumo frequente desses alimentos, reforçando a urgência em fortalecer políticas públicas de alimentação saudável.
A série também apresenta recomendações que incluem maior regulamentação de rótulos, restrições à publicidade — sobretudo a infantil —, proibição de ultraprocessados em escolas e hospitais e incentivo ao acesso a alimentos in natura. Os autores ressaltam que o problema é estrutural e global, movido por um mercado que fatura US$ 1,9 trilhão ao ano e molda hábitos alimentares no mundo inteiro. Para eles, é essencial promover sistemas alimentares baseados em alimentos integrais e preparações tradicionais, estratégia já adotada por políticas brasileiras como o Programa Nacional de Alimentação Escolar.
Com informações: Agência Brasil





