Ruralistas visitam Bolsonaro, admitem rever fusão dos ministérios da Agricultura e Meio Ambiente

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Eles também podem rever pontos de acordo de Paris que visa à redução das emissões de carbono

RIO – Um grupo de empresários doagronegócio fez uma visita ao presidenciável Jair Bolsonaro(PSL) na manhã desta quarta-feira, em sua residência na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, o grupo, com cerca de 40 pessoas, representa produtores de vários segmentos da agricultura e da pecuária de “praticamente todos os estados”. Após o encontro, Nabhan admitiu rever a proposta de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Os ruralistas também pedem a revisão de alguns pontos do Acordo de Paris, compromisso internacional ratificado pelo Brasil em setembro de 2016.

Antes do encontro, Nabhan afirmou que o grupo veio reiterar seu apoio a Bolsonaro e reforçar “algumas demandas importantes”, como o direito à propriedade para produtores rurais, e que o BNDES não atenda “só os amigos do rei”.

O presidente da UDR desconversou sobre sua eventual indicação para Ministro da Agricultura – durante a campanha, seu nome chegou a ser cotado para a pasta.  Segundo ele, sua visita a Bolsonaro não se deve por “ambições pessoais”. Ao chegar à casa de Bolsonaro, Nabhan disse que vê com bons olhos uma possível fusão entre os ministérios da Agricultura e do Meio-Ambiente. Para ele, a fusão entre as pastas não representaria uma flexibilização dos limites de desmatamento.

– Não temos objetivo de obter um alvará de impunidade. Temos uma legislação. Quem cometer alguma infração tem que ser punido – afirmou.

Após a visita, que durou cerca de uma hora, o presidente da UDR, no entanto, admitiu que poderia rever a ideia de fundir as pastas da Agricultura e do Meio Ambiente. A ideia havia sido apresentada a Bolsonaro pelo próprio Nabhan. Ele, inclusive, chegou a defendê-la ao falar com jornalistas na chegada à casa do presidenciável:

– Muito positiva (a fusão). Essa é uma das razões para o setor produtivo estar aqui. Quem está aqui é a base produtora, que paga impostos, trabalha, e por isso se sente no direito de dizer que essa fusão é muito bem-vinda. Até porque tem que haver essa fusão. O programa de governo do Bolsonaro, que será respeitado, fala em reduzir de 29 para 15 ministérios. Então não é só na questão da Agricultura e Meio-Ambiente. Haverá fusões em outras pastas também – disse Nabhan.

Após o encontro, no entanto, Nabhan pareceu ter revisto seu ponto de vista.

– Tem um ponto extremamente positivo que levamos: podemos, inclusive, rever essa questão da fusão da pasta da Agricultura com o Meio-Ambiente. Vai valer a vontade da maioria da sociedade – afirmou.PUBLICIDADE

Perguntado se o discurso não era uma mudança de posição, Nabhan mostrou incômodo:

– Ninguém pode ter um governo duro, autoritário, sem flexibilidade, com arrogância. Se for o melhor para o Brasil, depois de eleito todos vão sentar e ele vai ouvir toda a sociedade. É inevitável a fusão de várias pastas. Porém, estamos ouvindo a todos. Se tiver que haver flexibilização, haverá.

Ruralista admitem rever demandas sobre Acordo de Paris

Em entrevistas recentes, o ruralista se disse favorável à manutenção do Código Florestal aprovado neste ano – que prevê, por exemplo, a preservação de 80% da floresta na Amazônia pelos proprietários rurais. O presidente da UDR afirmou, por outro lado, que é preciso rever alguns pontos do Acordo de Paris, aprovado pela comunidade internacional em 2015 e que visa à redução das emissões de carbono. No ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada do país do Acordo de Paris.

– É evidente que ninguém quer acabar com Acordo de Paris, mas alguns pontos precisam ser revistos. Por exemplo: desmatamento zero. (O certo é) Desmatamento ilegal zero. Temos uma legislação, ninguém pode passar por cima dela. Não podemos aceitar que países que não fizeram sua parte (na questão ambiental) queiram impor regras ao Brasil – afirmou Nabhan.

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