Religião e Hipocrisia

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Antes de ter conotação negativa, hipócrita designava alguém que tinha a habilidade de atuar, de representar um papel. Hipócritas eram atores gregos e sua atuação nos palcos da Grécia recebiam o nome de hipocrisia. Com passar do tempo, mais precisamente por volta do século XIV a palavra hipócrita entrou na língua portuguesa, passou de habilidades representativas à substantivo “Pessoa que finge sentir o que não sente; quem demonstra uma opinião que não possui ou dissimula qualidades que não têm”. Hipócrita pode ser também um adjetivo “Pessoa que se comporta com hipocrisia; que demonstra uma virtude ou qualidade que não possui”.

A hipocrisia é sem dúvidas uma detestável prática social. A maioria (se não todos) já agiram hipocritamente em algum momento de suas vidas, já representaram um papel. Outros foram mais longe e assumiram definitivamente as máscaras e fizeram da vida um permanentemente teatro. Isso é hipocrisia como estilo de vida!

Todos estamos suscetíveis a um ato de representação e fingimento de crenças, virtudes, ideias e sentimentos. Porém acredito que se há um campo fértil, um lugar propício para a frutificação, para a prática da hipocrisia esse “lugar” é a religião. Não me refiro à apenas ao cristianismo, mas a todas as expressões de fé.

PENSO ASSIM POR PELO MENOS DOIS MOTIVOS:

PRIMEIRO pela tentativa de ostentação da fé que visa admiração e o louvor alheio. É nessa busca do parecer ser, que nasce uma pseudo espiritualidade, alguém que mesmo dominado pela podridão interna e com uma vida secreta deplorável, busca a todo tempo vender uma imagem de gente santa, honesta e devota. É certo que nenhum religioso será perfeito em sua prática de fé, diante disso o caminho não é a ostentação, mas a humildade de reconhecer limitações, desvios e pecados. O caminho não é o fingir ser, mas a transparência de alguém que caminha em direção ao ser melhor do que é.

EM SEGUNDO LUGAR penso na religião como campo fértil para a hipocrisia pelas diversas vezes que Jesus referiu-se aos religiosos de sua época como hipócritas. Isso me levou a pensar que essa não foi apenas uma exortação aos homens e mulheres de fé do seu tempo, mas de todos os tempos. Jesus com essa acusação, alerta aos fieis de todos os tempos e lugares a guardarem seus corações e vidas do fingir ser, do fingir crer, do fingir sentir. A essência de qualquer expressão de fé é a verdade, é conduzir o seguidor a experiências genuínas, que resultem em profundas mudanças e uma vida marcada pela coerência entre aquilo que ser crer e aquilo que se vivi.

Por uma vida com menos máscaras, Weslei Pinha.

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