GRUPO PRÓ-BOLSONARO GANHA RELEVÂNCIA NO TWITTER APÓS FACADA

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Levantamento da DAPP-FGV mostra que apoiadores do candidato do PSL saíram fortalecidos do atentado

O atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 6 de setembro ampliou em 29% a presença de apoiadores do candidato do PSL nas discussões sobre presidenciáveis no Twitter. Ao mesmo tempo, o episódio fez murchar a relevância de perfis alinhados à esquerda, que caiu 21%, ao lado de perfis anti-Bolsonaro sem orientação política definida, que perderam 4% de seu peso nos debates. No entanto, perfis que se opõem ao ex-capitão continuaram dominando a discussão, com 62% das interações.

A movimentação nas redes depois do atentado em Juiz de Fora foi detectada em um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas obtido pela piauí. Para a análise, a DAPP levou em consideração os períodos de 28 de agosto a 4 de setembro e de 8 a 10 de setembro. Antes da facada, os perfis de apoio ao candidato representavam 14% dos 633 mil usuários que faziam parte do debate. A partir do dia 6, esses passaram a representar 18% dentro de um cenário composto por 411 mil perfis. Não são consideradas eventuais mudanças que tenham ocorrido desde então.

Desde o início do ano, o único assunto relacionado às eleições que despertou mais interesse no Google – segundo a ferramenta Google Trends, que compara o grau de interesse por palavras e expressões ao longo do tempo – foi a prisão de Lula, em abril. O pico de interesse, no entanto, foi o maior já registrado em torno de Bolsonaro desde o início de sua carreira política. Chamou mais atenção do que as mortes de Eduardo Campos, candidato à presidência do PSB em 2014, durante a corrida eleitoral, e de Teori Zavascki, que era o relator da Lava Jato no Supremo, em janeiro de 2017. Despertou também mais curiosidade do que o impeachment de Dilma Rousseff.

No Facebook também foi possível observar o impacto do discurso pró-Bolsonaro. Nos dias que sucederam o atentado, todos os filhos políticos do candidato tiveram os likes em suas respectivas páginas catapultados. Eduardo Bolsonaro, candidato a deputado federal pelo PSL em São Paulo, recebeu 116 mil curtidas desde então. Flávio Bolsonaro, candidato ao Senado no Rio de Janeiro pelo PSL, garantiu 207 mil novos fãs. Até Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro pelo PSC e menos popular do clã, recebeu mais 27 mil likes em sua página. Os filhos postaram detalhes do quadro clínico de Bolsonaro, o que atraiu mais pessoas. Uma transmissão de vídeo ao vivo de Eduardo, de dentro de um carro a caminho de Juiz de Fora acompanhar o pai, foi assistida mais de 2,5 milhões de vezes.

A pesquisa da DAPP também mostra que, no primeiro momento analisado, havia um grupo dentro do debate que defendia candidatos como Marina Silva, João Amoêdo, Geraldo Alckmin, Alvaro Dias e Henrique Meirelles, formado por 7% dos perfis. A facada fez com que esse grupo desaparecesse e abrisse espaço para um novo, que gira em torno da candidatura de Ciro Gomes, formado por 9% dos perfis dentro das discussões políticas no Twitter.

Ao longo da primeira semana após o atentado, as redes foram terreno fértil para desinformação, como imagens alteradas e teorias da conspiração. Apoiadores de Bolsonaro participaram disso. Magno Malta, senador do PR e escudeiro do ex-capitão, viralizou com um vídeo em que reza ao lado do leito do candidato no hospital Albert Einstein, em São Paulo, no dia seguinte ao atentado. Um dia antes, no entanto, enquanto Bolsonaro ainda era atendido na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Malta postava em seu Twitter uma montagem em que colaram o rosto do agressor entre participantes de um evento do PT. A história foi desmentida pelo projeto Comprova, um conjunto de 24 veículos jornalísticos feito para investigar boatos durante a campanha presidencial, entre eles a piauí. A coalizão também verificou a origem de uma foto da cicatriz no abdômen de Bolsonaro no hospital também postada por Malta. Desta vez, a conspiração foi às avessas: ele postou a imagem e internautas duvidaram da veracidade. A foto é legítima. Desde o atentado, Malta ganhou mais 18 mil seguidores no Twitter e 70 mil no Facebook.

Outro apoiador de Bolsonaro a conquistar likes e retuítes compartilhando desinformação sobre o atentado foi Alexandre Frota, candidato a deputado federal pelo PSL em São Paulo. Em 7 de setembro, ele postou um print de um dos vídeos que capturaram o momento da agressão. A imagem sugere que a faca usada no crime foi passada da mão de uma mulher para a mão de um homem antes de chegar ao autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira. A postagem teve 2,8 mil likes e 1,7 mil retweets. O Comprova também analisou o vídeo e concluiu que a se tratava de uma mentira.

O crescimento nas interações não teve reflexo na página oficial de Bolsonaro no Facebook. O dia em que recebeu mais curtidas foi no dia seguinte ao atentado, em 7 de setembro, quando 57 mil pessoas curtiram sua página. Esse não foi, no entanto, o auge do candidato nos últimos três meses. Em 30 de agosto, dois dias depois de conceder uma entrevista ao Jornal Nacional, 85 mil pessoas o seguiram. Só no dia da entrevista, inclusive, a página do candidato recebeu 1,3 milhões de interações, o que já é mais da metade das interações que ele recebeu nos últimos sete dias: 2 milhões no total

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