De perto ninguém é normal

Coluna do Manoel Lopes

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De perto ninguém é normal.

Todo lugar tem uma personalidade extraordinária, de preferencia uma pessoa que não se encontra com a saúde metal em bom estado, diria que nas cidades pequenas tem um doido predileto. Essa mania de eleger um doido como personalidade não é de hoje, na historia temos vários exemplos que não se restringem a pequenas cidades, acredito que nas cidades maiores os doidos são encontrados em bairros. Em Itajuípe, cidade de pequeno porte um doido famoso na região grapiúna conhecido pelo nome de JIPE, ganhou notoriedade por gerações, pois o mesmo costumava ir a pé aos municípios vizinhos como se estivesse dirigindo um carro, ao passar pelas pessoas ele acenava e dava um sonoro buzinada, pensando está em um Jipe.


Em Itarantim, alguns doidos da minha geração ficaram bem famosos na cidade, Nita que andava para cima e para baixo com uma boneca debaixo dos braços, dizem que ela perdeu o resguardo ou foi o bebê e por isso perdeu também a sanidade. Outro famoso era o Pepeta Lau que ao ouvir essas palavras corria atrás de qualquer um, jogando o que tinha nas mão para acertar o miserável que o xingava “PEPETA LAU”
Nos relatos de um grupo de whatsApp denominado Ex-Cenecistas as memorias dos participantes foram ativadas ao serem provocados para descreverem sobre os doidos marcantes de sua época.

Emilio Costa lembrou de Aurinha, Jove, Véi Crocodilo, Augusto irmão de Ze Priquito.
Tereza Gusmão falou de Pretinho e Nita.
Já Beth Botelho reviveu historias de João Bambulé que andava com uma cachorra atrás dele e aí de quem gritasse o nome “João Bambulé” ele xingava, jogava pedra e o que mais tivesse nas mãos.
Para Beto Vintém as lembranças são de Margarida que aparecia na cidade de quando em vez.
Cisleia Salomão lembrou do avô Barba Azul e Magna relatou que morria de medo de Barba Azul.

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Quero falar de um doido que é o meu predileto “Vei Crocodilo” ele morava no Bairro Bob Kennedy e atormentava a vida de todo adolescente daquela época, pegava muitos de surpresa, dando carreiras e ameaçando dá cascudo, Véi Crocodilo não era muito chegado a tomar banho, de longe sentíamos o cheiro da inhaca no ar. Véi era uma figura subversiva, só respeitava o Sr. João Faustino, dono do armazém Queimado. Certa vez João Faustino foi levar uma mercadoria para a cidade de Potiraguá, no retorno o caminhão virou e Sr. João morreu, mas Véi Crocodilo ficou vivo para contar a historia do acidente.
Lembro também que toda vez que a meninada ia tomar banho no rio da pedra e encontrava Véi Crocodilo na rua Tomaz Lemos já sabíamos que era correria certa, um Deus me acuda da Tomaz Lemos ate a Praça 2 de Julho. Dizem que Véi ainda está vivo lá pelas bandas de Eunápolis, tomara que tenha dado muita carreira em moleque danado.

Ainda sobre personalidade doidas varridas, só que em nível nacional temos Maria I,princesa da Beira, nasceu a 17 de Dezembro de 1734, mas ficou para a História como D. Maria I, a Rainha Louca. Na sua conturbada vida, viveu o horror da destruição do terrível terramoto que abalou a capital em 1755, viu o seu pai, D. José I, sofrer um atentado, assistiu à execução de alguns nobres que foram acusados de conspiração, sofreu atormentada a pressão e a crueldade do marquês de Pombal, homem de confiança de seu pai, mas teve forças para o confrontar e afastar do poder. Em pouco mais de dois anos, viu morrer o seu querido marido, D. Pedro III, o filho primogénito e herdeiro da coroa, a sua filha e o genro espanhol, e o seu confessor Frei Inácio de São Caetano. Estes acontecimentos, aliados aos tempos conturbados que se viviam na Europa, graças à Revolução Francesa, marcaram de forma dramática a vida de D. Maria I e foram-lhe roubando a paz de espírito e a sanidade mental. Em 1792, considerada incapaz de governar por sofrer de doença mental, vê-se afastada do poder, dando lugar ao seu filho, D. João VI. Com ele embarca para o Brasil sob a ameaça das invasões francesas. É em terras de Vera Cruz que morre, em 1816.

Como diz Raul Seixas Enquanto você / Se esforça pra ser / Um sujeito normal /E fazer tudo igual / Eu do meu lado / Aprendendo a ser louco / Um maluco total / Na loucura real. Então fica e reflexão: de medico e louco todo mundo tem um pouco. Nos próximos meses estaremos votando em nossos governantes, espero que a sanidade coletiva, não seja ludibriada pela insanidade individual.

  • Manoel Lopes é prof de Filosofia, Graduado em Filosofia – UESC, Especialista em Educação Científica e Cidadania – IFbaiano, Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Movimentos Sociais, Diversidade e Ed. do Campo – GEPEMDEC, Membro da EPS – Ilhéus

2 comentários em “De perto ninguém é normal

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